quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2008, um ano que não acabou.

Coari,31 de Dezembro de 2008.

Daqui a pouco começa o último espetáculo de pão e circo da era Adail.Enquanto no interior do Maranhão,moradores destroem casa de prefeito que não paga os funcionários públicos,aqui em Coari mais de 8 mil,preferem tomar o calote,o qual se tranforma em uma bola de neve,pois chega no comércio,nas farmácias,nos motoqueiros,nas bancas de churrasco,nos feirantes entre outros.
Um fim de ano azedo,mas que a grande maioria da população vai deixar pra lá...esquecer...e esperar receber no outro ano.
até porque,houve a promessa de não demissão dos contratos!!!Desta forma,junta-se salário de Dezembro+PIS-PASEP+terço de férias = coarienses mais pobres.Dizem que haviam criado já há um certo tempo uma tal de lei de responsabilidade fiscal,mas é mais um lei que não vai pegar...pegar ladrão principalmente!!!
assim como aquela lei lá!!!que deveria punir os politicos por infdelidade partidária!!Mas não houvimos falar que O TRE de Ari Moutinho tenha cassado agum vereador de Coari por infidelidade partidária!!!!Só se foi ainda há pouco!!!
E´Brasil... aonde vamos parar??....Amanhã será a cerimônia de posse de do novo prefeito e a massa já está convidada a aplaudir e esquecer que o dinheiro público lhes pertence!!!
Paciência...Viva ao cleptogoverno!!!! viva a cleptocracia!!!!!Viva a sociedade sem informação!!sem vergonha e sem pudores!!!!
que venha 2009.

carta de despedida....

Coluna de José Ribamar Bessa Freire
Adai, maninho, eu te entendo!
Ilmo. Prefeito de Coari, Adail Pinheiro
quarta-feira 31 de dezembro de 2008.
Saudações!

Escrevo essa carta, mas não repare os senões, para dizer que entendo, maninho, porque a tua Coadrilha assalta os cofres municipais e se envolve com prostituição infantil, pedofilia e milícia armada, como ficou demonstrado pela Policia Federal na Operação ‘Vorax’. Tudo ficou claro depois que li os artigos do senador Arthur Virgilio Neto (PSDB) neste Diário e a notícia sobre a pena imposta a Marcos Valério, o operador do mensalão, aquele careca que disputa com Maluf o título de campeão das falcatruas.

Acontece o seguinte: o Careca emitiu notas fiscais falsas para uma firma de prestação de serviços, simulando pagamento feito a uma de suas empresas, a SMP&B Comunicação. O juiz ouviu – ELE OUVIU - testemunhas que confirmaram os pagamentos e viu – ELE VIU - a prova do crime de falsidade ideológica: as notas fiscais. Não podia deixar de punir o criminoso. Condenou, então, o Careca a pagar multa de... – olhem só! - dois salários mínimos e... a prestar serviços comunitários. Quá-qua-ra-quá-quá! Quem vai permitir que o Careca ou Adail tomem conta de seus filhos numa creche comunitária?

Francamente! Assim, vou começar a roubar! Prestação de serviços comunitários? Ora, me poupe. Faço isso todo fim de semana, por pura militância. Dois salários mínimos? Basta uma ordem do meu amigo Batará, que o Cirilo, embora seja mão-de-vaca, paga a multa por mim, porque obedece a seu pai. Acontece que nem essa merreca o Careca vai pagar. Seus advogados impetraram hábeas corpus pra cá, juris tantum pra lá, fica o dito pelo não-dito.

O Careca vai ficar pobre: dois salários mínimos por meter a mão em bufunfa federal!!! E na bufunfa municipal, Adail, qual é a multa? Dez centavos? Um bandido que assalta um banco ou uma pessoa pode morrer ou ser preso. Mas quem rouba cofre público não corre qualquer risco. O ex-governador Amazonino, que entende do riscado, declarou: “no Amazonas se compra juízes, desembargadores e procuradores”. O juiz que dá uma sentença dessas está parindo Adails. Até o Ferraço saiu lépido e fagueiro em ‘Duas Caras’ e ainda papou a Maria Paula. A Silvia Aline de Moraes, depois de toda a bandidagem cometida, foi viver em Paris. O crime, então, compensa?

O crime na Compensa

Por falar em compensa, o que vem acontecendo no Palácio do Governo do Estado do Amazonas, que fica no bairro da Compensa, é mais um motivo para Adail continuar fazendo suas estripulias, segundo o senador Arthur Virgilio Neto (PSDB), cujos artigos contundentes só agora eu li, porque nem o Diário, nem minhas nove irmãs, nem meus 38 sobrinhos me mandaram cópias.

O senador escreve que o governador Eduardo Braga, quando era prefeito, depois de ter sido vice de Amazonino, “montou empresas ‘laranjas’ para saquear a cidade, com métodos que depois aperfeiçoou para pilhar o Estado”. Denuncia o que chama de cleptogoverno, as obras-fantasmas do Alto Solimões e o pedido do Dudu para o Senado autorizar empréstimo de 24 milhões de dólares ao BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento para mais obras-fantasmas no Alto Solimões..

As viagens do Eduardo são turnês de marajá e de sultão. Em suas andanças, leva esposa, filho, sobrinho, secretário, massagista particular – o Paulo Roberto – gato, cachorro, periquito e papagaio. Em Tókio, a comitiva ficou hospedada no Hotel Imperial, que é um palácio. O Dudu não deixou por menos: suíte imperial, cuja diária – segundo Arthur - é de R$ 17.210,77. Com dinheiro público – ou seja, o meu, o seu, o nosso – ele paga por um dia de hotel aquilo que muito trabalhador amazonense não ganha em três anos.

Uma garrafa de vinho Cheval Blanc custa R$ 2.720,00 e uma garrafa de champagne é R$ 1.326,00. As viagens de Eduardo têm um “farto consumo” dessas bebidas, são “orgias inenarráveis com o dinheiro público”, denuncia Arthur Virgilio, com quem a gente pode ter diferenças políticas, mas reconhece nele um parlamentar sério, lúcido, inteligente, corajoso, que combateu a ditadura militar e não deu tréguas aos antecessores de Eduardo, um dos quais ensinou ao atual governador como tratar a coisa pública.

As investigações sobre aquilo que Arthur está chamando de “delinqüência pública” não avançaram até agora, porque a bancada do governador Eduardo Braga na Assembléia Legislativa vinha bloqueando a criação de uma CPI. Eles blindaram Adail e o governador, uma manobra do presidente da Assembléia – o Big Beautiful - aliado com uma ala do PT – que vergonha! - e até – meu Deus do céu! – com o PCdoB. A CPI só acabou saindo porque – vejam só! – Amazonino articulou os deputados sob sua influência a se pronunciarem a favor.

E é isso que o povo amazonense jamais perdoará ao Eduardo: suas estripulias foram tantas, que deram oportunidade até – imagine só! - ao Amazonino parecer honesto e impoluto. As armações do atual governador no Palácio da Compensa estão embraquecendo o Negão. Imperdoável!!!

A impunidade do governador tem servido de exemplo e modelo, uma vez que a única punição que ele sofreu foi uma dor de consciência, que o persegue noite e dia, por haver matado as esperanças do povo amazonense. Mas a consciência do Dudu – todo mundo sabe – reside no seu estômago, traduzindo-se, portanto, em “fortes e freqüentes dores estomacais” que ele vem sentindo ultimamente – segundo informa Arthur Neto.

No entanto, isso não intimida o prefeito Adail, que copia o modelo da Compensa. Meu dileto sobrinho ‘Pão Molhado’, que esteve em Coari, jura que ouviu comentários do prefeito, confessando que está calando e andando pra esse tipo de dor. Adail, que está todo perebento, com psoríase, segundo me informa a repórter Ariranha, teria dito ao deputado José Lobo: “Maninho, em troca dessa bufunfa, vale a pena ficar com pereba, com caganeira e soltar ventosidades, mesmo fétidas”.

A questão, porém, não termina ai. Arthur Neto escreveu com todas as letras: “Ninguém se iluda. O episódio de Coari não se resume a Adail Pinheiro. Se as investigações prosseguirem, os fatos demonstrarão que Eduardo Braga é o chefe de Adail Pinheiro”. Foi por isso que o Dudu mandou sua bancada na Assembléia votar contra a CPI. para investigar o Adail.

O crime compensa? Dizem que o crime – como o cheque do Nonato Oliveira - não compensa, mas o crime na Compensa, compensa. Pelo menos, tem compensado até agora. Em Coari, também compensa, por causa do apoio da Compensa, sem o qual Adail não existiria, como pensa quem pensa. Em compensação, quem não acessa o Blog do Holanda, não sabe o que está perdendo. O cara está dando um banho de jornalismo: informativo, crítico, enxuto, independente e corajoso. Amaro, bota o link no Taquiprati: http://www.blogdoholanda.com/home/.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Rei morto,Rei posto.

Após a sessão de rasgações de sedas e propagações de discursos vagos.Adail Pinheiro,viajou no Domingo as três da tarde.Ao chegar ao aeroporto Eduardo Braga,ocorreu o de costume,muitos carros e puxa-sacos.Durante os minutos em que se encontrava no aeroporto,ouvia-se nos carros músicas de campanhas passadas,seus numerosos acessores faziam questão de colocar bem alto,para marcar ponto com o chefinho.Quando Adail entrou no avião,seus "fiéis" acessores trocaram olhares,viram que Rodrigo Alves também estava lá e perceberam que estavam a três dias de um novo prefeito.
Ao verem o jatinho há uma certa altitude,correram rapidamente e trocaram o Cd de Adail para um da campanha de Rodrigo.
Foi emblemático.Virou-se o disco,virou-se a página,sai um rei entra outro.Logo O quase ex-prefeito irá perceber que seus "defensores mais fiéis" gostam mesmo é dos cargos e não de sua pessoa.
Logo logo a bajulação terá outro alvo, as juras de amor sincero terão outro nome...
Agora é com você Rodrigo.

Serafim ataca Braga e Adail.


Da Crítica.





Emerson QuaresmaEspecial para A CRÍTICA.


Ontem, na última entrevista coletiva concedida como prefeito de Manaus, Serafim Corrêa (PSB) não poupou críticas ao governador Eduardo Braga (PMDB). De acordo com Serafim, Braga não fez “parceria por Manaus” nem com ele, nem com os dois prefeitos anteriores: Luiz Alberto Carijó e Alfredo Nascimento.
Mais cedo, em entrevista à Rádio CBN, o socialista afirmou que o governador fez muito pouco por Manaus, levando em consideração que 98% da arrecadação do Estado advêm da capital. “Faço votos que ele (Braga) faça parceria com o prefeito eleito e coloque logo na mão do Amazonino os R$ 200 milhões do ICMS, que foi repassado para Coari, já que ele disse ter R$ 1,4 bilhão em caixa”, disparou o prefeito durante a coletiva.
Serafim também criticou o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, classificado por ele como “irresponsável” por entrar com a ação sobre o repasse do ICMS. “O prefeito de Coari é um meliante, um pedófilo e deve depor no Senado por isso. É um bandido que deveria estar preso. Ele não tem moral para discutir nada”, declarou o socialista.
Na entrevista a Rádio CBN, Serafim disse que Braga fez pouco por Manaus. “O Governo do Estado resolveu asfaltar algumas vias da cidade de Manaus. Fez muito pouco. Em Iranduba, ele colocou R$ 50 milhões para asfaltar ruas. Em Itacoatiara também R$ 50 milhões. Acho que ele demorou muito a fazer em Manaus”, disse o prefeito.
Por meio de sua assessoria de comunicação, Eduardo Braga não quis comentar sobre “parceria pessoal”, mas que existiu, sim, uma parceria do Governo do Estado “com Manaus”. “Que pode ser reconhecida com o Programa de Saneamento dos Igarapés de Manaus (Prosamim), o recapeamento de ruas, a construção de novas vias, e o trabalho com a avenida das Torres”, disse a assessoria.
Durante a coletiva Serafim defendeu a candidatura à reeleição do deputado federal Marcelo Serafim (PSB), seu filho. “Os adversários políticos, com inveja, tentam usá-lo para me atacar”, disse. “Mas não conseguem porque a Prefeitura não usou a máquina para eleger o Marcelo. Tanto que dois anos depois de eleito não tem nenhuma reclamação contra ele na Justiça”, acrescentou.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Entenda a Amazônia e o atual modelo predatório de ocupação e exploração econômica


da Folha Online
Leia a seguir o primeiro capitulo de
"A Floresta Amazônica", livro da coleção "Folha Explica".
Divulgação

Marcelo Leite traça situação dos ecossistemas da Amazônia
Escrito por Marcelo Leite, colunista da Folha e membro do conselho editorial da série "Folha Explica", o livro explica o modelo atual predatório de ocupação e exploração econômica da região e trata da necessidade racional de revisar, desde a raiz, as noções mais correntes sobre o ecossistema da floresta amazônica.
-Leia resenha "A Amazônia merece", de José Sarney Filho, publicada à época do lançamento do livro
Como o nome indica, a série
"Folha Explica" ambiciona explicar os assuntos tratados e fazê-lo em um contexto brasileiro: cada livro oferece ao leitor condições não só para que fique bem informado, mas para que possa refletir sobre o tema, de uma perspectiva atual e consciente das circunstâncias do país.
*
Confira a introdução do "Folha Explica A Floresta Amazônica":
Da Hiléia à Rainforest
Menos de 200 anos se passaram entre a cunhagem do termo "hiléia" para designar a floresta amazônica, pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859), e o surgimento de uma parceria inusitada entre o músico britânico Sting e o cacique caiapó Raoni, no final dos anos 80, que contribuiu para transformar a hiléia num ícone da cultura popular do século 20, rebatizada como rainforest ("floresta chuvosa", um termo que nunca vingou em português). Entre uma e outra palavra, forjou-se a imagem por excelência da natureza intocada e ancestral, aquém da história, que ganhava corpo naquela imensidão de selva impenetrável e úmida, cortada pelos rios mais caudalosos da Terra.
Há bem pouco tempo, porém, pelo menos em termos geológicos --uma hora e meia atrás, se toda a história do planeta fosse comprimida em um século--, boa parte da paisagem amazônica era radicalmente diversa: muito mais seca, com um rio Amazonas e as portentosas chuvas minguados em pelo menos 40%, segundo estudo dos pesquisadores Mark Maslin e Stephen Burns na revista Science (vol. 290, p. 2285; 22/12/2000). A floresta, recortada em muitas ilhas separadas por manchas de cerrado e, talvez, até mesmo caatingas, segundo a interpretação do geógrafo brasileiro Aziz Nacib Ab'Sáber1.
Essa paisagem mais ressequida, irreconhecível pelo padrão de exuberância equatorial da Amazônia do presente, já era habitada por homens há pelo menos 8 mil anos. É o que revela o sítio arqueológico da caverna de Pedra Pintada, na margem esquerda do Amazonas, a poucos quilômetros do que é hoje Santarém, no estado do Pará. E não eram provavelmente bandos pequenos de caçadores e coletores, mas sociedades complexas o bastante para produzir peças de cerâmica, um tipo de atividade que exige certo grau de diferenciação social e de especialização, característico de grupos que já dominam a agricultura. O sítio Pedra Pintada foi estudado nos anos 90 pela arqueóloga norte-americana Anna Curtenius Roosevelt2, bisneta do presidente norte-americano Theodore Roosevelt (o grande paladino da criação de parques e florestas nacionais nos Estados Unidos, que, em 1913-4, depois de ter deixado a Presidência, se embrenhou na selva brasileira na companhia de Cândido Rondon, em busca do rio da Dúvida).
A caverna guardava nada menos que a mais antiga cerâmica já encontrada nas Américas --uma constatação no mínimo difícil de conciliar com a imagem tradicional do ambiente amazônico: floresta rica de solos pobres (78% são muito ácidos ou de baixa fertilidade) e reduzida capacidade de sustento para populações humanas, em razão de uma fauna de baixa densidade, embora muito diversificada. Pouca proteína, gente escassa. A melhor prova de que a Amazônia seria um paraíso verde para poucos (ou um inferno idem, dependendo do ponto de vista) estaria na composição de sua população indígena atual: muitos grupos pequenos e isolados, seminômades, com baixo desenvolvimento tecnológico e convivendo em relativa harmonia com o ecossistema em imensos territórios (basta mencionar, como se comprazem em fazer os inimigos da demarcação de terras indígenas, que os cerca de 12 mil ianomâmis brasileiros ocupam 97 mil quilômetros quadrados, uma área superior à da antiga metrópole, Portugal).
Civilizações Varzeanas
Segundo uma corrente que vem ganhando força na arqueologia, esse padrão de povoamento é apenas uma face da história, aquela que pode ser vista do lado de cá do Descobrimento. Ela tem o defeito de escamotear precisamente o que existia ou pode ter existido antes da chegada do colonizador. Na ótica de Anna Roosevelt, já houve uma Amazônia povoada por sociedades complexas e estratificadas, que reuniam dezenas de milhares de pessoas na agricultura de mandioca e talvez milho nas terras inundáveis, fertilizadas com os sedimentos transportados de longas distâncias pelos chamados rios de água branca (na verdade, barrenta), até mesmo dos Andes. Nessas várzeas, que cobrem de 2% a 3% da bacia amazônica (ou até 120 mil quilômetros quadrados, no caso do Brasil, o equivalente a quase um Portugal e meio), e nas suas adjacências, teriam florescido grandes cacicados, como os que legaram as elaboradas cerâmicas marajoara (da ilha de Marajó) e Santarém (nas margens do rio Tapajós). Esses povos guerreiros de cabelos compridos foram descritos nos relatos dos primeiros cronistas europeus, como o religioso Gaspar de Carvajal, que acompanhou a viagem do explorador espanhol Francisco de Orellana à foz do grande rio, dando origem à lenda das amazonas. Segundo Roosevelt, não seriam tão lendários assim --apenas não teriam conseguido sobreviver ao contato com a máquina de guerra européia e a pletora de doenças infecciosas que levava consigo.
Dito de outro modo, o padrão atual de ocupação indígena da Amazônia seria fruto do movimento da história, e não a resultante milenar de um processo biológico de ajustamento à baixa capacidade de sustentação do ambiente. "Cometemos uma injustiça contra essas populações quando as vemos, simplesmente, como selvagens afortunados, adaptados à floresta tropical, ao invés de um povo ecologicamente, economicamente e politicamente marginal que vem perdendo controle sobre seus hábitats e modos de vida", resumiu Anna Roosevelt em "Determinismo Ecológico na Interpretação do Desenvolvimento Social Indígena da Amazônia"3.
Seu alvo preferencial é Betty Meggers, tão norte-americana, arqueóloga e especializada em Amazônia quanto ela, mas de uma geração anterior. Em parceria com o marido, Clifford Evans, e contando com o beneplácito de governos militares brasileiros, Meggers reinou sobre a arqueologia amazônica nos anos 60 e 70. Ainda que incomodada com o calor, a umidade e os insetos, uma referência constante em seus escritos, Meggers comandou os primeiros trabalhos arqueológicos extensos e sistemáticos na região, reunidos em 1971 numa obra clássica, "Amazonia: Man and Culture in a Counterfeit Paradise" (Amazônia: Homem e Cultura em um Falso Paraíso)4.
O título já trai o viés da arqueóloga com relação à floresta amazônica, que da ótica do determinismo ambiental seria incapaz de dar origem a culturas mais complexas. Mesmo as óbvias exceções, como as cerâmicas marajoara e Santarém, teriam resultado de incursões esporádicas de civilizações estranhas ao ambiente amazônico, oriundas do Caribe ou mesmo dos Andes. Uma vez ali instaladas, teriam entrado num processo irresistível de decadência, provocada pelo meio e suas transformações.
Qualquer semelhança com as teorias periodicamente ressuscitadas para "explicar" o subdesenvolvimento brasileiro, com base na sua localização geográfica ou na insalubridade do meio, é mais que simples coincidência. A Amazônia não é necessariamente sinônimo de atraso social e cultural (embora qualquer viagem por seu interior ofereça copiosos e penosos exemplos exatamente disso); é o que pode constatar todo aquele que se despir de preconceitos e contemplar um vaso marajoara em qualquer museu etnográfico do Brasil.
Eixos De Destruição
Mais que difícil, é impossível conciliar essas duas Amazônias, a que entrou no produtivo e destruidor século 20 com cerca de 4 milhões de seus 5 milhões de quilômetros quadrados cobertos por florestas densas (dos quais 550 mil, ou mais de seis Portugais, seriam destruídos ao longo desses cem anos mais devastadores que a região conheceu sob a ação do homem) e a que precedeu o Descobrimento, provavelmente mais povoada e mais seca à medida que se recua no tempo, com flutuações de população, de cobertura florestal e de pluviosidade cuja amplitude só se pode conhecer hoje pelos métodos indiretos e por natureza fragmentários da arqueologia e da paleoecologia (estudo do ambiente no passado). Só o tempo permite reconciliá-las sem contradição, vale dizer, por meio da história --história natural e história humana.
Não existe uma Amazônia, arquétipo imemorial de floresta majestosa e imutável, mas territórios e paisagens mutáveis, sob influência da ação e do conhecimento humanos. E, assim como foi outra num passado não tão remoto assim, a floresta amazônica, com toda a sua imensidão, não vai estar aí para sempre. Foi preciso alcançar a fantástica taxa de desmatamento de quase 20 mil quilômetros quadrados ao ano, na última década do século 20, para que uma pequena parcela de brasileiros se desse conta de que o maior patrimônio natural do país está sendo literalmente torrado, pois nem ao menos uma acumulação primitiva de capital ele tem sido capaz de sustentar.
A maioria, particularmente aqueles mais próximos do poder, parece pouco disposta a aprender com o passado. Planos desenvolvimentistas lucubrados nas pranchetas e nas planilhas de computadores em Brasília, como o Avança Brasil, do governo Fernando Henrique Cardoso5, parecem destinados a reeditar o fracasso tão bem caracterizado por Aziz Ab'Sáber no livro A Amazônia - do Discurso à Práxis: "O que se cometeu de pseudoplanejamento, feito à distância, na fase que fundamentou a abertura da rodovia Transamazônica, não tem paralelo em qualquer parte do mundo, em termos de ausência de noção de escala, responsabilidade civil por propostas predatórias e falta de conhecimentos efetivos da realidade física, ecológica e social da Amazônia brasileira".
A abertura e a pavimentação de estradas ainda figuram como paradigma do desenvolvimento, embora se saiba, por extensa experiência, que seu principal efeito é induzir ao desmatamento. Dois estudos que vieram a público no ano 2000 partiram das taxas históricas de desmatamento registradas na Amazônia brasileira nas décadas de 70 e 80 para tentar estimar o quanto de devastação poderia ser causado pela construção e recuperação de 6.245 quilômetros de estradas, previstas no plano Avança Brasil como parte de investimentos em infra-estrutura da ordem de US$ 40 bilhões, ao longo de sete anos. As conclusões são alarmantes.
O primeiro desses estudos foi realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, mais conhecido pela sigla Ipam6.
Trata-se de uma organização não-governamental sui generis, que reúne sob o mesmo teto investigação científica de primeira qualidade com trabalhos de base, como a autogestão da pesca de várzea na ilha do Ituqui, perto de Santarém, e regulamentos para disciplinar queimadas na colônia agrícola Del Rey, perto de Paragominas (ambos no Pará). O Ipam é uma espécie de primo amazônico de outra ONG de pesquisa, a norte-americana Centro de Pesquisa Woods Hole (WHRC, na abreviação em inglês), que fica na localidade de mesmo nome no litoral de Massachusetts e recebe periodicamente pesquisadores brasileiros do Ipam, para estágios intensivos de treinamento acadêmico sob a supervisão do ecólogo Daniel Nepstad.
O pessoal do Ipam se juntou ao do Instituto Socioambiental (ISA), de São Paulo, para produzir o seguinte vaticínio, no livreto Avança Brasil: os Custos Ambientais Para a Amazônia, de abril de 2000: apenas quatro das estradas incluídas no Avança Brasil - Cuiabá- Santarém (BR-163), no trecho Santarém-Itaituba; Humaitá-Manaus (BR-319); Transamazônica (BR-230), no trecho Marabá-Rurópolis; e Manaus-Boa Vista (BR-174) -, perfazendo um total de 3.500 quilômetros, provocariam ao longo dos próximos 25 a 35 anos um desmatamento entre 80 mil quilômetros quadrados, no cenário otimista, e 180 mil quilômetros quadrados, numa perspectiva pessimista. Algo como um a dois Portugais de floresta derrubada e morta, em apenas uma geração, ou entre um décimo e um quinto da área de mata atlântica que os portugueses e seus descendentes levaram cinco séculos para devastar. Em carta publicada na revista britânica Nature em 11 de janeiro de 2001 ( vol. 409, p. 131), a previsão do Ipam, incluindo agora todas as estradas do Avança Brasil, foi revisada para 120 mil a 270 mil quilômetros quadrados de destruição --até três Portugais.
O segundo trabalho veio à tona em novembro de 2000, novamente pelas mãos de pesquisadores norte-americanos associados com brasileiros, dessa vez numa instituição científica mais tradicional, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), mantido pelo governo federal. Liderado pelo ecólogo William Laurance, tinha o claro propósito de refinar os cálculos efetuados pelo grupo de Nepstad, na medida em que se propunha a incluir todas as estradas do Avança Brasil, mais as hidrovias e hidrelétricas previstas no plano desenvolvimentista e a construção de linhas de transmissão de energia elétrica. Submetido à prestigiada revista científica norte-americana Science, o artigo vazou para a imprensa brasileira antes mesmo de ter recebido a aprovação final dos revisores especializados, que seus editores contatam na tentativa de garantir a publicação só de trabalhos que satisfaçam os mais altos padrões de pesquisa (um processo de filtragem conhecido como peer review, ou "revisão por pares"). Acabou saindo em janeiro de 2001 na Science (vol. 291, 19 de janeiro de 2001; p. 438). O time do Inpa também recorreu ao esquema dos dois cenários, mas pintou-os com tintas ainda mais carregadas: em apenas 20 anos, menos de uma geração, iriam restar somente 28% de mata virgem na Amazônia, na previsão mais otimista, ou meros 5%, na estimativa menos otimista, como resultado do Avança Brasil (hoje ainda há 87% da floresta de pé, boa parte intocada).
O projeto de integrar a Amazônia ao Brasil a golpes de estradas como a Transamazônica e a Belém-Brasília dura já quatro décadas. Partiu do conceito duvidoso de que a região representava um "vazio demográfico" (do qual certamente discordariam os índios e as populações ribeirinhas) e estaria portanto vulnerável a apetites estrangeiros. Além de estradas, estava nos planos a ocupação por meio de projetos de colonização agrícola e de latifúndios agropecuários, artificialmente induzidos por incentivos fiscais. Depois vieram os grandes projetos públicos de infra-estrutura e mineração, como a hidrelétrica de Tucuruí e a exploração da serra de Carajás. Com o Avança Brasil, alteraram-se alguns objetivos --na mira está agora o escoamento da produção da soja que avança sobre o cerrado circundante--, mas não a mentalidade que engendrou um "desenvolvimento" no mínimo discutível, como bem resumiu o relatório do Ipam:
"Em função dessa política de ocupação, a população humana na região cresceu de 4 milhões para 10 milhões entre 1970 e 1991, e muitas famílias foram assentadas. O rebanho bovino cresceu de 1,7 milhão de cabeças (1970) para 17 milhões em 1995. Nesse período, a produção de ferro, bauxita e ouro da região rendeu cerca de US$ 13 bilhões. O produto interno bruto (PIB) da Amazônia, que era de US$ 1 bilhão por ano em 1970, subiu para US$ 25 bilhões em 1996 (3,2% do PIB nacional). No entanto, em 1991, quase 60% da população amazônica possuía renda insuficiente e a taxa de analfabetismo era de 24%, uma das mais elevadas do Brasil, situando-se abaixo somente da região Nordeste. Atualmente, a Amazônia detém a pior distribuição de renda do Brasil, que, por sua vez, é um dos países com os piores problemas de desigualdade do mundo".
O Valor Da Floresta
O objetivo central deste livro é desfazer a imagem de que a floresta tenha estado ou vá estar aí para sempre. Acabar com o mito de que a exuberância amazônica, apesar de abarcar mais da metade do território nacional, representa "florestas virgens tão antigas quanto o mundo", como se referiu o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire às matas brasileiras. Ou, ainda, que seja tão vasta e perene a ponto de carecer de valor, ensejando sem maiores conseqüências uma exploração predatória como a que dizimou a mata atlântica em cinco séculos de colonização.
Não menos fundamental, porém, será a noção de que o valor entesourado na maior floresta tropical do mundo precisa ser apropriadamente avaliado e explorado, o que equivale a dizer que ela deve ser ocupada e utilizada de maneira sustentável, de modo a garantir a sobrevivência para uma parcela crescente de brasileiros, de preferência com uma renda e um nível de vida igualmente ascendentes. Qualquer outra proposta para a Amazônia, seja de preservação, seja de exploração, que não atenda a esse objetivo social, está fadada ao fracasso.
Como disse Euclides da Cunha numa famosa frase, relembrada pelo jornalista Ricardo Arnt em ensaio de 1991 ("Um Artifício Orgânico"): "A Amazônia é a última página, ainda por escrever-se, do Gênese". Ela terá de ser escrita por todos os cidadãos de um país que carrega o nome de uma árvore à beira da extinção, marca indelével de uma nação que principiou pela destruição sistemática de florestas, mas que nem por isso precisa insistir sistematicamente no erro.
Quanto às páginas do livro, serão escritas e apresentadas numa ordem concebida com a intenção de demonstrar a necessidade racional de revisar, desde a raiz, as noções mais correntes sobre a floresta amazônica. Sobre a floresta, bem entendido, e não sobre a Amazônia como unidade geopolítica. Não havendo como abarcar, numa obra desta extensão, todos os aspectos políticos, militares e estratégicos de um território tão vasto e problemático, optou-se por concentrar o foco naquilo que há de mais básico para esse debate: o ecossistema, em suas interações mais imediatas com as populações humanas e com o clima, regional e mundial. É manifesto que somente essas informações de fundo mais científico e econômico são insuficientes para dirimir os muitos debates sobre os destinos da macrorregião, do projeto Sivam ao problema da biopirataria, mas também não é menos certo que muitas das falsas polêmicas sobre ela seriam rapidamente resolvidas com apoio mais sólido e mais freqüente nessas mesmas informações.
No capítulo 1, os temas serão as riquezas mais propaladas da Amazônia, sua biodiversidade (riqueza biológica, ou quantidade de espécies) e sua sociodiversidade (riqueza cultural, ou multiplicidade de nações indígenas e populações tradicionais que a habitam e exploram, exercendo maior ou menor grau de pressão sobre o ambiente). O objetivo do capítulo será demonstrar que, apesar de todo o potencial dessa massa de diversidade e de conhecimento tradicional sobre seus usos para a nascente indústria da biotecnologia, dificilmente resultará daí uma forma predominante de atividade econômica, capaz de prover níveis crescentes de renda para milhões de pessoas. Extrativismo (borracha, castanha, essências) e sistemas agroflorestais (culturas perenes como cupuaçu, açaí e pupunha, por exemplo) são soluções atraentes, em particular se voltadas para o beneficiamento e o aumento do valor agregado dos produtos, mas dificilmente sustentariam mais que populações locais. Além disso, com a transformação progressiva da engenharia genética numa tecnociência da informação, a matéria-prima das seqüências genéticas naturais tenderá a perder importância.
O capítulo 2 será todo ele dedicado ao maior e mais problemático produto do extrativismo, a madeira. Sua exploração nos moldes atuais, absolutamente predatórios, tem funcionado como elo fundamental na cadeia de devastação iniciada com a abertura de estradas. Mas existem alternativas, como vêm comprovando projetos de manejo sustentável (extração racionalizada, que reduz drasticamente o desperdício e prepara o retorno à mesma área, três décadas após o primeiro corte) e de certificação ambiental de madeireiras, de olho num mercado internacional "ecologicamente correto". A principal conclusão do capítulo será que a madeira, mais que a agropecuária ou o extrativismo de produtos não-madeireiros, pode constituir a base de uma economia florestal para a Amazônia, com potencial para gerar renda e emprego para a maior parte de sua população, sem necessariamente levar à degradação da floresta.
Um dos aspectos mais fascinantes da floresta amazônica, suas relações com o clima regional e global, será contemplado no capítulo 3. A apresentação de alguns dos maiores e mais criativos projetos científicos em curso nas florestas tropicais do mundo, como o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (mais conhecido pela abreviação inglesa LBA) e o Projeto Seca-Floresta, servirá para extrair conclusões aparentemente paradoxais, como a de que a floresta é fundamental para a sua própria sobrevivência, ou a de que seus padrões de nebulosidade e de precipitação se parecem mais com aqueles que prevalecem sobre os oceanos do que com os observados sobre os continentes. Em resumo, que a permanência da floresta é crucial para a manutenção de ciclos vitais para o clima e para a economia, justificando a emergência de um conceito que pode revolucionar a forma como se vê a Amazônia: o de serviços ecológicos, ou a contribuição da floresta para insumos equivocadamente tidos como inesgotáveis e, por isso, sem valor, como o maior aparelho de produção de água doce do planeta.
No capítulo final será defendida a conclusão de que a floresta tem, sim, um enorme valor. O que falta é quantificá-lo, explorá-lo e distribuí-lo melhor. Ou seja, que a paisagem florestal, a biodiversidade e a biomassa são commodities do futuro e já se encontram em pleno processo de valorização, produto da escassez crescente. Caberia assim, aos brasileiros, preservá-las, menos em benefício da humanidade que de seu próprio país; e por razões práticas, antes mesmo das motivações éticas (como a não-dilapidação de um patrimônio que também pertence às gerações futuras, as quais continuarão a necessitar dos serviços que a floresta provê ao homem). Enfim, que a exploração racional da floresta amazônica e sua conseqüente conservação constituem também um imperativo de ordem civilizatória, além de pragmática.
1 - Aziz Nacib Ab'Sáber, Amazônia - do Discurso à Práxis. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996; p. 562 - Anna C. Roosevelt, "Paleoindian Cave Dwellers in the Amazon: the Peopling of the Americas". Em: Science, vol. 272; 19 de abril de 1996; p. 373.3 - Anna C. Roosevelt, "Determinismo Ecológico na Interpretação do Desenvolvimento Social Indígena da Amazônia". Em: Walter A. Neves (org.), Origens, Adaptações e Diversidade Biológica do Homem Nativo da Amazônia. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi/CNPq, 1991.4 - Betty J. Meggers, Amazonia: Man and Culture in a Counterfeit Paradise. Chicago: Aldine, 1971.5 - O programa Avança Brasil se baseia no Estudo dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento, que, segundo o site do governo sobre o programa (www.abrasil.gov.br/), "é uma radiografia dos grandes problemas nacionais e das imensas oportunidades que o País oferece".6 - Daniel Nepstad, João Paulo Capobianco, Ana Cristina Barros, Georgia Carvalho, Paulo Moutinho, Urbano Lopes e Paul Lefebvre, Avança Brasil: os Custos Ambientais Para a Amazônia (Relatório do Projeto "Cenários Futuros para a Amazônia"). Belém: Ipam, 2000.Ver também o site: www.ipam.org.br/ O estudo crítico sobre impactos do projeto Avança Brasil está disponível em: www.ipam.org.br/avanca/ab.htm
"Folha Explica A Floresta Amazônica"Autor: Marcelo LeiteEditora: PublifolhaPáginas: 104Quanto: R$ 17,90Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha
da Folha Online
Leia a seguir o primeiro capitulo de
"A Floresta Amazônica", livro da coleção "Folha Explica".
Divulgação

Marcelo Leite traça situação dos ecossistemas da Amazônia
Escrito por Marcelo Leite, colunista da Folha e membro do conselho editorial da série "Folha Explica", o livro explica o modelo atual predatório de ocupação e exploração econômica da região e trata da necessidade racional de revisar, desde a raiz, as noções mais correntes sobre o ecossistema da floresta amazônica.
-Leia resenha "A Amazônia merece", de José Sarney Filho, publicada à época do lançamento do livro
Como o nome indica, a série
"Folha Explica" ambiciona explicar os assuntos tratados e fazê-lo em um contexto brasileiro: cada livro oferece ao leitor condições não só para que fique bem informado, mas para que possa refletir sobre o tema, de uma perspectiva atual e consciente das circunstâncias do país.
*
Confira a introdução do "Folha Explica A Floresta Amazônica":
Da Hiléia à Rainforest
Menos de 200 anos se passaram entre a cunhagem do termo "hiléia" para designar a floresta amazônica, pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859), e o surgimento de uma parceria inusitada entre o músico britânico Sting e o cacique caiapó Raoni, no final dos anos 80, que contribuiu para transformar a hiléia num ícone da cultura popular do século 20, rebatizada como rainforest ("floresta chuvosa", um termo que nunca vingou em português). Entre uma e outra palavra, forjou-se a imagem por excelência da natureza intocada e ancestral, aquém da história, que ganhava corpo naquela imensidão de selva impenetrável e úmida, cortada pelos rios mais caudalosos da Terra.
Há bem pouco tempo, porém, pelo menos em termos geológicos --uma hora e meia atrás, se toda a história do planeta fosse comprimida em um século--, boa parte da paisagem amazônica era radicalmente diversa: muito mais seca, com um rio Amazonas e as portentosas chuvas minguados em pelo menos 40%, segundo estudo dos pesquisadores Mark Maslin e Stephen Burns na revista Science (vol. 290, p. 2285; 22/12/2000). A floresta, recortada em muitas ilhas separadas por manchas de cerrado e, talvez, até mesmo caatingas, segundo a interpretação do geógrafo brasileiro Aziz Nacib Ab'Sáber1.
Essa paisagem mais ressequida, irreconhecível pelo padrão de exuberância equatorial da Amazônia do presente, já era habitada por homens há pelo menos 8 mil anos. É o que revela o sítio arqueológico da caverna de Pedra Pintada, na margem esquerda do Amazonas, a poucos quilômetros do que é hoje Santarém, no estado do Pará. E não eram provavelmente bandos pequenos de caçadores e coletores, mas sociedades complexas o bastante para produzir peças de cerâmica, um tipo de atividade que exige certo grau de diferenciação social e de especialização, característico de grupos que já dominam a agricultura. O sítio Pedra Pintada foi estudado nos anos 90 pela arqueóloga norte-americana Anna Curtenius Roosevelt2, bisneta do presidente norte-americano Theodore Roosevelt (o grande paladino da criação de parques e florestas nacionais nos Estados Unidos, que, em 1913-4, depois de ter deixado a Presidência, se embrenhou na selva brasileira na companhia de Cândido Rondon, em busca do rio da Dúvida).
A caverna guardava nada menos que a mais antiga cerâmica já encontrada nas Américas --uma constatação no mínimo difícil de conciliar com a imagem tradicional do ambiente amazônico: floresta rica de solos pobres (78% são muito ácidos ou de baixa fertilidade) e reduzida capacidade de sustento para populações humanas, em razão de uma fauna de baixa densidade, embora muito diversificada. Pouca proteína, gente escassa. A melhor prova de que a Amazônia seria um paraíso verde para poucos (ou um inferno idem, dependendo do ponto de vista) estaria na composição de sua população indígena atual: muitos grupos pequenos e isolados, seminômades, com baixo desenvolvimento tecnológico e convivendo em relativa harmonia com o ecossistema em imensos territórios (basta mencionar, como se comprazem em fazer os inimigos da demarcação de terras indígenas, que os cerca de 12 mil ianomâmis brasileiros ocupam 97 mil quilômetros quadrados, uma área superior à da antiga metrópole, Portugal).
Civilizações Varzeanas
Segundo uma corrente que vem ganhando força na arqueologia, esse padrão de povoamento é apenas uma face da história, aquela que pode ser vista do lado de cá do Descobrimento. Ela tem o defeito de escamotear precisamente o que existia ou pode ter existido antes da chegada do colonizador. Na ótica de Anna Roosevelt, já houve uma Amazônia povoada por sociedades complexas e estratificadas, que reuniam dezenas de milhares de pessoas na agricultura de mandioca e talvez milho nas terras inundáveis, fertilizadas com os sedimentos transportados de longas distâncias pelos chamados rios de água branca (na verdade, barrenta), até mesmo dos Andes. Nessas várzeas, que cobrem de 2% a 3% da bacia amazônica (ou até 120 mil quilômetros quadrados, no caso do Brasil, o equivalente a quase um Portugal e meio), e nas suas adjacências, teriam florescido grandes cacicados, como os que legaram as elaboradas cerâmicas marajoara (da ilha de Marajó) e Santarém (nas margens do rio Tapajós). Esses povos guerreiros de cabelos compridos foram descritos nos relatos dos primeiros cronistas europeus, como o religioso Gaspar de Carvajal, que acompanhou a viagem do explorador espanhol Francisco de Orellana à foz do grande rio, dando origem à lenda das amazonas. Segundo Roosevelt, não seriam tão lendários assim --apenas não teriam conseguido sobreviver ao contato com a máquina de guerra européia e a pletora de doenças infecciosas que levava consigo.
Dito de outro modo, o padrão atual de ocupação indígena da Amazônia seria fruto do movimento da história, e não a resultante milenar de um processo biológico de ajustamento à baixa capacidade de sustentação do ambiente. "Cometemos uma injustiça contra essas populações quando as vemos, simplesmente, como selvagens afortunados, adaptados à floresta tropical, ao invés de um povo ecologicamente, economicamente e politicamente marginal que vem perdendo controle sobre seus hábitats e modos de vida", resumiu Anna Roosevelt em "Determinismo Ecológico na Interpretação do Desenvolvimento Social Indígena da Amazônia"3.
Seu alvo preferencial é Betty Meggers, tão norte-americana, arqueóloga e especializada em Amazônia quanto ela, mas de uma geração anterior. Em parceria com o marido, Clifford Evans, e contando com o beneplácito de governos militares brasileiros, Meggers reinou sobre a arqueologia amazônica nos anos 60 e 70. Ainda que incomodada com o calor, a umidade e os insetos, uma referência constante em seus escritos, Meggers comandou os primeiros trabalhos arqueológicos extensos e sistemáticos na região, reunidos em 1971 numa obra clássica, "Amazonia: Man and Culture in a Counterfeit Paradise" (Amazônia: Homem e Cultura em um Falso Paraíso)4.
O título já trai o viés da arqueóloga com relação à floresta amazônica, que da ótica do determinismo ambiental seria incapaz de dar origem a culturas mais complexas. Mesmo as óbvias exceções, como as cerâmicas marajoara e Santarém, teriam resultado de incursões esporádicas de civilizações estranhas ao ambiente amazônico, oriundas do Caribe ou mesmo dos Andes. Uma vez ali instaladas, teriam entrado num processo irresistível de decadência, provocada pelo meio e suas transformações.
Qualquer semelhança com as teorias periodicamente ressuscitadas para "explicar" o subdesenvolvimento brasileiro, com base na sua localização geográfica ou na insalubridade do meio, é mais que simples coincidência. A Amazônia não é necessariamente sinônimo de atraso social e cultural (embora qualquer viagem por seu interior ofereça copiosos e penosos exemplos exatamente disso); é o que pode constatar todo aquele que se despir de preconceitos e contemplar um vaso marajoara em qualquer museu etnográfico do Brasil.
Eixos De Destruição
Mais que difícil, é impossível conciliar essas duas Amazônias, a que entrou no produtivo e destruidor século 20 com cerca de 4 milhões de seus 5 milhões de quilômetros quadrados cobertos por florestas densas (dos quais 550 mil, ou mais de seis Portugais, seriam destruídos ao longo desses cem anos mais devastadores que a região conheceu sob a ação do homem) e a que precedeu o Descobrimento, provavelmente mais povoada e mais seca à medida que se recua no tempo, com flutuações de população, de cobertura florestal e de pluviosidade cuja amplitude só se pode conhecer hoje pelos métodos indiretos e por natureza fragmentários da arqueologia e da paleoecologia (estudo do ambiente no passado). Só o tempo permite reconciliá-las sem contradição, vale dizer, por meio da história --história natural e história humana.
Não existe uma Amazônia, arquétipo imemorial de floresta majestosa e imutável, mas territórios e paisagens mutáveis, sob influência da ação e do conhecimento humanos. E, assim como foi outra num passado não tão remoto assim, a floresta amazônica, com toda a sua imensidão, não vai estar aí para sempre. Foi preciso alcançar a fantástica taxa de desmatamento de quase 20 mil quilômetros quadrados ao ano, na última década do século 20, para que uma pequena parcela de brasileiros se desse conta de que o maior patrimônio natural do país está sendo literalmente torrado, pois nem ao menos uma acumulação primitiva de capital ele tem sido capaz de sustentar.
A maioria, particularmente aqueles mais próximos do poder, parece pouco disposta a aprender com o passado. Planos desenvolvimentistas lucubrados nas pranchetas e nas planilhas de computadores em Brasília, como o Avança Brasil, do governo Fernando Henrique Cardoso5, parecem destinados a reeditar o fracasso tão bem caracterizado por Aziz Ab'Sáber no livro A Amazônia - do Discurso à Práxis: "O que se cometeu de pseudoplanejamento, feito à distância, na fase que fundamentou a abertura da rodovia Transamazônica, não tem paralelo em qualquer parte do mundo, em termos de ausência de noção de escala, responsabilidade civil por propostas predatórias e falta de conhecimentos efetivos da realidade física, ecológica e social da Amazônia brasileira".
A abertura e a pavimentação de estradas ainda figuram como paradigma do desenvolvimento, embora se saiba, por extensa experiência, que seu principal efeito é induzir ao desmatamento. Dois estudos que vieram a público no ano 2000 partiram das taxas históricas de desmatamento registradas na Amazônia brasileira nas décadas de 70 e 80 para tentar estimar o quanto de devastação poderia ser causado pela construção e recuperação de 6.245 quilômetros de estradas, previstas no plano Avança Brasil como parte de investimentos em infra-estrutura da ordem de US$ 40 bilhões, ao longo de sete anos. As conclusões são alarmantes.
O primeiro desses estudos foi realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, mais conhecido pela sigla Ipam6.
Trata-se de uma organização não-governamental sui generis, que reúne sob o mesmo teto investigação científica de primeira qualidade com trabalhos de base, como a autogestão da pesca de várzea na ilha do Ituqui, perto de Santarém, e regulamentos para disciplinar queimadas na colônia agrícola Del Rey, perto de Paragominas (ambos no Pará). O Ipam é uma espécie de primo amazônico de outra ONG de pesquisa, a norte-americana Centro de Pesquisa Woods Hole (WHRC, na abreviação em inglês), que fica na localidade de mesmo nome no litoral de Massachusetts e recebe periodicamente pesquisadores brasileiros do Ipam, para estágios intensivos de treinamento acadêmico sob a supervisão do ecólogo Daniel Nepstad.
O pessoal do Ipam se juntou ao do Instituto Socioambiental (ISA), de São Paulo, para produzir o seguinte vaticínio, no livreto Avança Brasil: os Custos Ambientais Para a Amazônia, de abril de 2000: apenas quatro das estradas incluídas no Avança Brasil - Cuiabá- Santarém (BR-163), no trecho Santarém-Itaituba; Humaitá-Manaus (BR-319); Transamazônica (BR-230), no trecho Marabá-Rurópolis; e Manaus-Boa Vista (BR-174) -, perfazendo um total de 3.500 quilômetros, provocariam ao longo dos próximos 25 a 35 anos um desmatamento entre 80 mil quilômetros quadrados, no cenário otimista, e 180 mil quilômetros quadrados, numa perspectiva pessimista. Algo como um a dois Portugais de floresta derrubada e morta, em apenas uma geração, ou entre um décimo e um quinto da área de mata atlântica que os portugueses e seus descendentes levaram cinco séculos para devastar. Em carta publicada na revista britânica Nature em 11 de janeiro de 2001 ( vol. 409, p. 131), a previsão do Ipam, incluindo agora todas as estradas do Avança Brasil, foi revisada para 120 mil a 270 mil quilômetros quadrados de destruição --até três Portugais.
O segundo trabalho veio à tona em novembro de 2000, novamente pelas mãos de pesquisadores norte-americanos associados com brasileiros, dessa vez numa instituição científica mais tradicional, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), mantido pelo governo federal. Liderado pelo ecólogo William Laurance, tinha o claro propósito de refinar os cálculos efetuados pelo grupo de Nepstad, na medida em que se propunha a incluir todas as estradas do Avança Brasil, mais as hidrovias e hidrelétricas previstas no plano desenvolvimentista e a construção de linhas de transmissão de energia elétrica. Submetido à prestigiada revista científica norte-americana Science, o artigo vazou para a imprensa brasileira antes mesmo de ter recebido a aprovação final dos revisores especializados, que seus editores contatam na tentativa de garantir a publicação só de trabalhos que satisfaçam os mais altos padrões de pesquisa (um processo de filtragem conhecido como peer review, ou "revisão por pares"). Acabou saindo em janeiro de 2001 na Science (vol. 291, 19 de janeiro de 2001; p. 438). O time do Inpa também recorreu ao esquema dos dois cenários, mas pintou-os com tintas ainda mais carregadas: em apenas 20 anos, menos de uma geração, iriam restar somente 28% de mata virgem na Amazônia, na previsão mais otimista, ou meros 5%, na estimativa menos otimista, como resultado do Avança Brasil (hoje ainda há 87% da floresta de pé, boa parte intocada).
O projeto de integrar a Amazônia ao Brasil a golpes de estradas como a Transamazônica e a Belém-Brasília dura já quatro décadas. Partiu do conceito duvidoso de que a região representava um "vazio demográfico" (do qual certamente discordariam os índios e as populações ribeirinhas) e estaria portanto vulnerável a apetites estrangeiros. Além de estradas, estava nos planos a ocupação por meio de projetos de colonização agrícola e de latifúndios agropecuários, artificialmente induzidos por incentivos fiscais. Depois vieram os grandes projetos públicos de infra-estrutura e mineração, como a hidrelétrica de Tucuruí e a exploração da serra de Carajás. Com o Avança Brasil, alteraram-se alguns objetivos --na mira está agora o escoamento da produção da soja que avança sobre o cerrado circundante--, mas não a mentalidade que engendrou um "desenvolvimento" no mínimo discutível, como bem resumiu o relatório do Ipam:
"Em função dessa política de ocupação, a população humana na região cresceu de 4 milhões para 10 milhões entre 1970 e 1991, e muitas famílias foram assentadas. O rebanho bovino cresceu de 1,7 milhão de cabeças (1970) para 17 milhões em 1995. Nesse período, a produção de ferro, bauxita e ouro da região rendeu cerca de US$ 13 bilhões. O produto interno bruto (PIB) da Amazônia, que era de US$ 1 bilhão por ano em 1970, subiu para US$ 25 bilhões em 1996 (3,2% do PIB nacional). No entanto, em 1991, quase 60% da população amazônica possuía renda insuficiente e a taxa de analfabetismo era de 24%, uma das mais elevadas do Brasil, situando-se abaixo somente da região Nordeste. Atualmente, a Amazônia detém a pior distribuição de renda do Brasil, que, por sua vez, é um dos países com os piores problemas de desigualdade do mundo".
O Valor Da Floresta
O objetivo central deste livro é desfazer a imagem de que a floresta tenha estado ou vá estar aí para sempre. Acabar com o mito de que a exuberância amazônica, apesar de abarcar mais da metade do território nacional, representa "florestas virgens tão antigas quanto o mundo", como se referiu o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire às matas brasileiras. Ou, ainda, que seja tão vasta e perene a ponto de carecer de valor, ensejando sem maiores conseqüências uma exploração predatória como a que dizimou a mata atlântica em cinco séculos de colonização.
Não menos fundamental, porém, será a noção de que o valor entesourado na maior floresta tropical do mundo precisa ser apropriadamente avaliado e explorado, o que equivale a dizer que ela deve ser ocupada e utilizada de maneira sustentável, de modo a garantir a sobrevivência para uma parcela crescente de brasileiros, de preferência com uma renda e um nível de vida igualmente ascendentes. Qualquer outra proposta para a Amazônia, seja de preservação, seja de exploração, que não atenda a esse objetivo social, está fadada ao fracasso.
Como disse Euclides da Cunha numa famosa frase, relembrada pelo jornalista Ricardo Arnt em ensaio de 1991 ("Um Artifício Orgânico"): "A Amazônia é a última página, ainda por escrever-se, do Gênese". Ela terá de ser escrita por todos os cidadãos de um país que carrega o nome de uma árvore à beira da extinção, marca indelével de uma nação que principiou pela destruição sistemática de florestas, mas que nem por isso precisa insistir sistematicamente no erro.
Quanto às páginas do livro, serão escritas e apresentadas numa ordem concebida com a intenção de demonstrar a necessidade racional de revisar, desde a raiz, as noções mais correntes sobre a floresta amazônica. Sobre a floresta, bem entendido, e não sobre a Amazônia como unidade geopolítica. Não havendo como abarcar, numa obra desta extensão, todos os aspectos políticos, militares e estratégicos de um território tão vasto e problemático, optou-se por concentrar o foco naquilo que há de mais básico para esse debate: o ecossistema, em suas interações mais imediatas com as populações humanas e com o clima, regional e mundial. É manifesto que somente essas informações de fundo mais científico e econômico são insuficientes para dirimir os muitos debates sobre os destinos da macrorregião, do projeto Sivam ao problema da biopirataria, mas também não é menos certo que muitas das falsas polêmicas sobre ela seriam rapidamente resolvidas com apoio mais sólido e mais freqüente nessas mesmas informações.
No capítulo 1, os temas serão as riquezas mais propaladas da Amazônia, sua biodiversidade (riqueza biológica, ou quantidade de espécies) e sua sociodiversidade (riqueza cultural, ou multiplicidade de nações indígenas e populações tradicionais que a habitam e exploram, exercendo maior ou menor grau de pressão sobre o ambiente). O objetivo do capítulo será demonstrar que, apesar de todo o potencial dessa massa de diversidade e de conhecimento tradicional sobre seus usos para a nascente indústria da biotecnologia, dificilmente resultará daí uma forma predominante de atividade econômica, capaz de prover níveis crescentes de renda para milhões de pessoas. Extrativismo (borracha, castanha, essências) e sistemas agroflorestais (culturas perenes como cupuaçu, açaí e pupunha, por exemplo) são soluções atraentes, em particular se voltadas para o beneficiamento e o aumento do valor agregado dos produtos, mas dificilmente sustentariam mais que populações locais. Além disso, com a transformação progressiva da engenharia genética numa tecnociência da informação, a matéria-prima das seqüências genéticas naturais tenderá a perder importância.
O capítulo 2 será todo ele dedicado ao maior e mais problemático produto do extrativismo, a madeira. Sua exploração nos moldes atuais, absolutamente predatórios, tem funcionado como elo fundamental na cadeia de devastação iniciada com a abertura de estradas. Mas existem alternativas, como vêm comprovando projetos de manejo sustentável (extração racionalizada, que reduz drasticamente o desperdício e prepara o retorno à mesma área, três décadas após o primeiro corte) e de certificação ambiental de madeireiras, de olho num mercado internacional "ecologicamente correto". A principal conclusão do capítulo será que a madeira, mais que a agropecuária ou o extrativismo de produtos não-madeireiros, pode constituir a base de uma economia florestal para a Amazônia, com potencial para gerar renda e emprego para a maior parte de sua população, sem necessariamente levar à degradação da floresta.
Um dos aspectos mais fascinantes da floresta amazônica, suas relações com o clima regional e global, será contemplado no capítulo 3. A apresentação de alguns dos maiores e mais criativos projetos científicos em curso nas florestas tropicais do mundo, como o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (mais conhecido pela abreviação inglesa LBA) e o Projeto Seca-Floresta, servirá para extrair conclusões aparentemente paradoxais, como a de que a floresta é fundamental para a sua própria sobrevivência, ou a de que seus padrões de nebulosidade e de precipitação se parecem mais com aqueles que prevalecem sobre os oceanos do que com os observados sobre os continentes. Em resumo, que a permanência da floresta é crucial para a manutenção de ciclos vitais para o clima e para a economia, justificando a emergência de um conceito que pode revolucionar a forma como se vê a Amazônia: o de serviços ecológicos, ou a contribuição da floresta para insumos equivocadamente tidos como inesgotáveis e, por isso, sem valor, como o maior aparelho de produção de água doce do planeta.
No capítulo final será defendida a conclusão de que a floresta tem, sim, um enorme valor. O que falta é quantificá-lo, explorá-lo e distribuí-lo melhor. Ou seja, que a paisagem florestal, a biodiversidade e a biomassa são commodities do futuro e já se encontram em pleno processo de valorização, produto da escassez crescente. Caberia assim, aos brasileiros, preservá-las, menos em benefício da humanidade que de seu próprio país; e por razões práticas, antes mesmo das motivações éticas (como a não-dilapidação de um patrimônio que também pertence às gerações futuras, as quais continuarão a necessitar dos serviços que a floresta provê ao homem). Enfim, que a exploração racional da floresta amazônica e sua conseqüente conservação constituem também um imperativo de ordem civilizatória, além de pragmática.
1 - Aziz Nacib Ab'Sáber, Amazônia - do Discurso à Práxis. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996; p. 562 - Anna C. Roosevelt, "Paleoindian Cave Dwellers in the Amazon: the Peopling of the Americas". Em: Science, vol. 272; 19 de abril de 1996; p. 373.3 - Anna C. Roosevelt, "Determinismo Ecológico na Interpretação do Desenvolvimento Social Indígena da Amazônia". Em: Walter A. Neves (org.), Origens, Adaptações e Diversidade Biológica do Homem Nativo da Amazônia. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi/CNPq, 1991.4 - Betty J. Meggers, Amazonia: Man and Culture in a Counterfeit Paradise. Chicago: Aldine, 1971.5 - O programa Avança Brasil se baseia no Estudo dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento, que, segundo o site do governo sobre o programa (www.abrasil.gov.br/), "é uma radiografia dos grandes problemas nacionais e das imensas oportunidades que o País oferece".6 - Daniel Nepstad, João Paulo Capobianco, Ana Cristina Barros, Georgia Carvalho, Paulo Moutinho, Urbano Lopes e Paul Lefebvre, Avança Brasil: os Custos Ambientais Para a Amazônia (Relatório do Projeto "Cenários Futuros para a Amazônia"). Belém: Ipam, 2000.Ver também o site: www.ipam.org.br/ O estudo crítico sobre impactos do projeto Avança Brasil está disponível em: www.ipam.org.br/avanca/ab.htm
"Folha Explica A Floresta Amazônica"Autor: Marcelo LeiteEditora: PublifolhaPáginas: 104Quanto: R$ 17,90Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Nota de repúdio

Enquanto professor,mais uma vez fico impressionado com descaso com que esse atual prefeito tem pelos trabalhadores em educação.
Desde o dia 20 aguardamos nosso 13º salário, e hoje vespéra de natal estamos impossibilitados de trazer um um pouco mais de conforto e alegria aos nossos familiares.
Prefeito, tenha vergonha na sua cara e pague o que nos é de direito,deixe de covardia e coloque a mão na consciência(se é que você a possui)!!! respeite os nossos direitos,não queremos fazer orgias,tomar wiskhy importado,fumar charutos cubanos,entre outras extravagâncias, queremos só respeito e dignidade.
Mas é preciso perguntar aos nossos colegas....
Até quando vamos continuar em silêncio????

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

SAIU O RESULTADO DAS PROVAS DO CEFET 2009 UNED COARI.

TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO PROEJA EDIFICAÇÕES.
Inscrição Nome Classif. Curso
62 REGINALDO AUGUSTO RODRIGUES COSTA JUNIOR 1°
58 RAICE DE SOUZA ARAÚJO 2°
32 FRANSOERMES TORRES LIMA- 3°
4 ADRIANO GIL 4°
67 ROBERTA ADRIANA DOS SANTOS ROCHA 5°
47 KLICYANE QUEIROZ AGUIAR 6°
66 RINALDO DINIZ DE CASTRO 7°
49 LEUNILTON FONSECA DE SOUZA 8°
8 ANDRE ANDERSON DA COSTA BASTOS 9°
11 CHARLES HERCULES GONÇALVES BRITO 10°
5 ALCIANE DUARTE DE SOUZA 11°
42 JESSE PEREIRA DE BRITO 12°
24 ELIENE COSMO DA SILVA 13°
57 QUIMBERLY DE ALMEIDA CARUALHO 14°
21 EDSON FILHO MGLO DOS SANTOS 15°
40 JANDERSOM DUARTE DOS SANTOS 16°
55 ORNALDO DOS SANTOS PAIVA 17°
12 CHARLY RIBEIRO DA COSTA 18°
41 JEANNY CAMILA ALMEIDA DE LIMA 19°
14 DEIVILANI FERNANDES ARRUDA REIS 20°
45 KATIANE VIANA DE OLIVEIRA 21°
56 PAULO CESAR RODRIGUES ROCHA 22°
44 JUNIOR GUIMARAGS DOS SANTOS 23°
65 RICARDO DA SILVA BATISTA 24°
346 FRANCISCO JOSE DE CASTRO E SILVA 25°
53 MISAEL NUNES DOS SANTOS 26°
69 ROSIANA LIMA CANDIDO 27°
63 RENATO TEIXEIRA DO NASCIMENTO 28°
35 HIOJANDECLEICY GAMA DE OLIVEIRA 29°
28 FRANCISCA FERNANDES DE LIMA 30°
39 JAMIULA CRISTINA FERREIRA DE OLIVEIRA 31°
37 ILSON VIANA ALMEIDA 32°
30 FRANCISCO WILIAN MELO DE SOUSA 33°
333 NÚBIA CRISTINA FERREIRA MANSUR 34°
61 RAIRON MENEZES NOGUEIRA- 35°
48 LEONARDO ARAUJO DE ABREU 36°
54 ORISVANIA FERREIRA ASSUNÇÃO 37°
25 ELY MELO DOS SANTOS 38°
43 JOSÉ PIRES SANTOS JUNIOR 39°
26 ENILTON FABA DA SILVA 40

saiu o resultado das provas do cefet-uned Coari

TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO INTEGRADO AO TÉCNICO EM INFORMÁTICA-MAT.

0000387 THIAGO SAYMON ALVES DE FREITAS 1°
0000220 IANDARA DE MENEZES MITOUSO 2°
0000327 OZIAN DA SILVA CARVALHO 3°
0000136 BRUNO SILVA DOS SANTOS 4°
0000140 CARDIFF RAIÇA DA SILVA E SILVA 5°
0000193 FRANCIELTON OLIVEIRA DOS SANTOS 6°
0000402 WILLIAN GOMES DE SOUZA 7°
0000290 LUCAS PHILIPE CORRÊA TAVARES 8°
0000146 CASSIA PEIXOTO MEDEIROS 9°
0000214 GLEICIANE GUEDES LOPES 10°
0000406 YOKO CRISTINA DOS SANTOS NISHI 11°
0000185 ERIC LIMA DE MELO 12°
0000246 JOHTHEMA MAURICIO DE MATOS 13°
0000197 FRANCISCA TATIANE PEREIRA SOUTO 14°
0000199 FRANCISCO GOMES BARBARÃO 15°
0000113 ANDESON DE OLIVEIRA BEZERRA 16°
0000158 DAVID SALES ARAUJO SOUSA 17°
0000100 ALEXANDRE FREITAS DOS SANTOS 18°
0000188 ERIKA SANTOS DA COSTA 19°
0000195 FRANCINEY WUEMENSON SILVA DE SOUZA 20°
0000341 RAIMUNDA GOMES DE SOUZA 21°
0000095 ALAN NASCIMENTO DE SOUZA 22°
0000218 HEUDA BATISTA DE SOUZA 23°
0000105 ANA CAROLINA MACIEL FERREIRA 24°
0000184 ELOIZA MUNIZ TORRES 25°
0000357 RITA LUANA RIBEIRO SOARES 26°
0000098 ALEONIZIO DE SOUZA GUIMARÃES 27°
0000310 MATEUS MONTEIRO DE SOUZA 28°
0000255 JOYCINARA ALVES DE MESQUITA 29°
0000398 WALESOM MEDEIROS DE OLIVEIRA 30°
0000131 BEATRIZ FREITAS DA SILVA 31°
0000107 ANA KASSIA LACET DE LIMA 32°
0000298 MARCELE PINHEIRO DA SILVA 33°
0000383 THALISON GUIMARAES DA SILVA 34°
0000328 OZIMAR DE JESUS RAMOS MACIEL JUNIOR 35°
0000147 CÉLIA MARIA DE SOUSA BARBOSA 36°
0000127 ARÃO DA SILVA OLIVEIRA 37°
0000307 MARIA RAIMUNDA ROCHA DA SILVA 38°
0000242 JHOSEPH MAURICIO DE MATOS 39°
0000262 KAMYLA ALFAIA DA SILVA 40


TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO INTEGRADO AO TÉCNICO DE INFORMÁTICA-VESPERTINO.


Inscrição Candidato Classificação
0005677 OGENILTON FERREIRA PAZ 1°
0005760 MIGUEL LIMA PRAIA 2°
0005734 SARA RAFAELA DA SILVA RAMOS 3°
0000159 DAYARA SOUZA MATTOS 4°
0000369 SANKELLY NOGUEIRA PRAIA 5°
0000395 VIKTORIA SANTOS DE SOUZA 6°
0005924 ELCIVANEY SANTOS DA SILVA 7°
0005693 MARILIA DE SOUZA ALMEIDA 8°
0005735 DONAYRE FERREIA PIRES 9°
0005714 MAELI PERES FIGUEIRA 10°
0005759 JOHN MENDERSON COSTA DE SOUZA 11°
0005670 LEANDRO SOUZA DA SILVA 12°
0000332 PAULA ALEXANDRA MENEZES DA PAZ 13°
0005699 RENAN DE OLIVEIRA LIMA 14°
0000314 MEIRIELLE SILVA E SILVA 15°
0005925 KAÍCO FABA DA SILVA 16°
0005741 ONDINA MACIEL DO NASCIMENTO 17°
0000392 VALERIA CARDOSO NERI 18°
0000186 ERIKA BRENDA BRASIL DE SOUZA 19°
0000247 JORDY PACHECO CALDAS 20°
0000110 ANA PAULA LOPES DE FREITAS 21°
0000289 LUCAS LIRA CARVALHO 22°
0000294 LUIZ FERNANDO MELO DE LIMA 23°
0005679 VAGNER LIMA DA ROSA 24°
0000326 ONEILDO BRITO DE ASSUNÇAO 25°
0005688 RAIMSON COELHO DA SILVA 26°
0000331 PATRYK ELEUTERIO RIBEIRO 27°
0000301 MARCIA DE ARAUJO GOMES 28°
0000206 GABRIELA DEYVIS SENA VICENTE 29°
0000124 ANNA KELLEN RODRIGUES MOREIRA 30°
0000270 KATIANE MELO DOS SANTOS 31°
0000257 JULIANA SOUZA DE OLIVEIRA 32°
0005684 HELLEN REGINA ARAUJO DE SOUZA 33°
0005683 EMIR DA SILVA LOMAS 34°
0005712 GIZELE XAVIER DE MATOS 35°
0000393 VALERIA MORIZ LITAIFF 36°
0005698 RICARDA DE SOUZA ARAUJO 37°
0000299 MARCELO AUGUSTO MARQUES BARROSO 38°
0005732 OZENEIFABA DE CARVALHO 39°
0005676 RAIMUNDO FELIX DA ROCHA 40

Da crítica. Pizza.



CPI não constata milícia .
Rubilar Santos - 05/08/2008


Edilson Gurgel diz que não se pode comparar Coari com o Rio de Janeiro
Tereza TeófiloDa equipe de A CRÍTICA
A conclusão dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Assembléia Legislativa do Estado (ALE-AM) para investigar atos de corrupção na Prefeitura de Coari (a 370 quilômetros de Manaus) foi marcada pelo mesmo desinteresse visto ainda no início dos trabalhos, em junho deste ano, quando o presidente do Poder, deputado Belarmino Lins (PMDB), sob a pressão da opinião pública, decidiu instalar a Comissão, que nos 120 dias de “vida” enfrentou dois recessos: o das férias de julho e o das eleições. A leitura do relatório conclusivo foi feito na tarde de ontem pelo deputado e relator Edilson Gurgel (PRP). O documento de 30 páginas não foi repassado à imprensa e dos cinco deputados que compuseram a CPI, dois deles, Liberman Moreno (PHS) e Ricardo Nicolau (PR), não participaram da reunião. No relatório encaminhado à Presidência da ALE, Gurgel disse que a Comissão não teve avanços significativos porque durante os depoimentos não se conseguiu provas documentais ou verbais para que as denúncias de corrupção levantadas pela Polícia Federal durante a Operação Vorax fossem confirmadas pela CPI. O fato acabou restringindo os trabalhos da Comissão à investigação de milícia armada na cidade, que também não foi comprovada pelo relator. “Não chegou nenhuma prova escrita, falada ou filmada. Nem mesmo fotografia feita de celular. Tem muita rixa política e pessoal envolvendo os depoentes. Não podemos condenar sem provas. Falácia não corresponde a verdade. Milícia? Longe disso chegar aqui. Comparar Coari, uma cidade pequena onde todos se conhecem, com o Rio de Janeiro? Deus me livre”, disse ele.
Depoentes ouvidos pela Comissão chegaram a afirmar a existência de um grupo paramilitar que seria comandado pelo prefeito Adail Pinheiro. O pelotão conhecido como “Delta” teria ramificações dentro da Guarda Municipal, mas o relator desconsiderou as informações prestadas e solicitou que a ALE apenas encaminhe o relatório à Corregedoria da Polícia Militar para fins de apuração de supostos crimes de deserção e prevaricação envolvendo as autoridades policiais da cidade. Cancelamentos
As denúncias de prostituição infantil também não foram esclarecidas pela CPI, principalmente depois que a Comissão cancelou por duas vezes a ida dos membros até à cidade com o propósito de ouvir uma jovem que teria sido estuprada por Adail. A dificuldade identificada por Gurgel também foi defendida pelo presidente da CPI, deputado Chico Preto. Na visão de Chico, a publicidade dada ao caso e o vazamento das interceptações telefônicas feitas pela PF acabaram assustando as testemunhas. “Ficou difícil até para se fazer um filme. De repente só tinha mocinho, não tinha mais bandido. Os depoentes não produziram provas contra si. Estavam todos muito orientados pelos advogados”, declarou Chico.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

ROYALTIES DO PETRÓLEO RECEBIDOS PELO MUNICÍPIO DE COARI, AMAZONAS

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO MOSTRA QUE NINGUEM SABE COMO OS RECURSOS SÃO APLICADOS.


- Como está sendo aplicado o dinheiro dos royalties de petróleo no município de Coari, no Amazonas?
Essa foi a questão central da pesquisa de mestrado desenvolvida pela advogada Rejane da Silva Viana, no Programa de Pós-Graduação em Direito Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
A resposta: ninguém sabe!!!
O trabalho, intitulado “O direito ao desenvolvimento sustentável: os royalties de Petróleo de Coari-AM”, financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), tentou identificar a origem do problema a partir da resposta à pergunta inicial.
A pesquisadora concluiu que o problema está na legislação brasileira, que não amarra as finalidades dos recursos dos royalties.Como a Lei do Petróleo (Lei n° 9.478, de 06 de agosto de 1997) não determina em que áreas se devem investir os recursos, o poder público fica à vontade para aplicar onde bem entender.
No caso de Coari, os royalties são misturado aos recursos do orçamento municipal e o dinheiro desaparece nas despesas da prefeitura sem que seja identificado o destino específico do mesmo.A arrecadação do município de Coari com os royalties foi de R$ 46,6 milhões em 2005. Esse valor vem crescendo ano a ano. Em 2001, o município recebeu R$ 19,1 milhões; em 2002, R$ 22,4 milhões, em 2003, R$ 29 milhões e em 2004, R$ 37,5 milhões. Nesses cinco anos, a soma de recursos só para Coari atingiram R$ 154,7 milhões.
A tendência é que esse valor dobre com o advento do viaduto Coari-Manaus e o início da exploração do gás natural.
Rejane Viana avaliou a situação de Coari a partir do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e constatou o que o município não se destaca de seus vizinhos amazonenses no quesito qualidade de vida. O município de Coari, com o IDH de 0,627, em 2000, é considerado pelo PNUD de médio desenvolvimento humano (entre 0,5 e 0,8).
Manaus tem um IDH de 0,774, o melhor entre os municípios amazonenses. “Pelo volume recursos que recebe dos royalties, Coari já teria condição de se destacar dos demais municípios e isso não ocorre. Alguma coisa está errada. O dinheiro não está sendo investido em políticas públicas”, afirma.Lei dos royalties não vincula os gastos dos recursos
A Lei do Petróleo precisa ser modificada para impor limites ao administrador estadual e municipal em relação à aplicação dos recursos advindos dos royalties, sugere a pesquisadora. “No passado já houve leis que amarravam melhor essa destinação dos recursos, mas ao longo de cinqüenta anos elas foram sendo substituídas”, lembra Rejane.
A Lei n.º 2.004/1953 estabelecia no art. 27, § 4°, que a aplicação desses recursos deveria ser “preferentemente, na produção de energia elétrica e na pavimentação de rodovias”, mas em 1985, mediante a Lei n.° 7.453, ficou estabelecida uma ampliação da aplicação dos recursos redigida da seguinte forma: ”Preferentemente em energia, pavimentação de rodovias, abastecimento e tratamento de água, irrigação, proteção ao meio ambiente e saneamento”.Em 1986, a Lei nº 7.525 deu a seguinte redação ao parágrafo terceiro do artigo 7º da antiga lei de 1953: “Ressalvados os recursos destinados ao Ministério da Marinha, os demais recursos previstos neste artigo serão aplicados pelos Estados, Territórios e Municípios, exclusivamente, em energia, pavimentação de rodovias, abastecimento e tratamento de água, irrigação, proteção ao meio ambiente e em saneamento básico”.Mudança recente impede o uso no pagamento de dívidas (com exceção a da União) e salários
Em 1989, houve mais uma mudança na lei, desta vez para impedir que os recursos fossem utilizados para o pagamento de dívidas e de pessoal. O artigo 8º da Lei nº 7.990/1989 determinou: “O pagamento das compensações financeiras previstas nesta lei, inclusive o da indenização pela exploração do petróleo, do xisto betuminoso e do gás natural será efetuado, mensalmente, diretamente aos Estados, ao Distrito Federal, aos municípios e aos órgãos de Administração Direta da União até o último dia útil do mês subseqüente ao do fato gerador, vedada a aplicação dos recursos em pagamentos de dívidas e no quadro permanente de pessoal”. A Lei nº 10.195/2001 modificou o parágrafo 8º da lei de 1989 para abrir exceção e permitir que os recursos do petróleo fossem utilizados para pagar dívidas com a União.A Lei n.° 9.478/1997, revogou a antiga Lei do Petróleo e silenciou quanto ao destino que os estados e municípios deveriam dar aos recursos dos royalties.
“Diferentemente dos impostos, que não podem ter suas receitas vinculadas, nada impede que a lei vincule os royalties à recuperação do meio ambiente, à implementação de políticas públicas que beneficiem a população local, ou ainda, que busquem desenvolver novas tecnologias, relembrando que se trata de um recurso natural não-renovável”, sugere a autora da dissertação.

Fonte: FAPEAM, 30/01/2007

O natal do apagar das luzes.







O natal do apagar das luzes.

É deprimente a situação em que se encontra nossa cidade nestas festas de fim de ano. As praças enfeitadas com o esforço e cooperação (ou coação) dos professores e funcionários das escolas, ainda que estes mesmos funcionários na sua grande maioria não soube este ano o que é PIS-PASEP,terço de férias e hoje, um grande presente, o décimo terceiro salário,para muitos não está completo e mais uma vez sem nenhuma explicação.
Até a eterna política de pão e circo foi esquecida, quem quis assistir uma banda de nome nacional teve de pagar de 15 a 30 reais, num espaço público que deveria atender aos eventos culturais de nosso município. Sem banana nem gás, Adail de despede de maneira melancólica, covarde e medíocre.
Mergulhado em escândalos, dívidas com o funcionalismo,perseguição aos adversário políticos, prostituição infantil,superfaturamento de obras,fraudes em licitações.Mas elegeu seu sucessor, e isso o deixa de certa forma um pouco aliviado,pois a partir do ano que vem vai enfrentar a CPI da pedofilia no senado,se fosse mais esperto teria exigido de seu guardião, Eduardo Braga, a vaga no TCE,pois desta forma conseguiria manter a imunidade a justiça comum,Ari Moutinho já tem seu pai lá no TRE e isto lhe garantiu sobrevida política.
Dentre o seu legado deixa 45 milhões mais 10 milhões de multa por fraude no INSS,30 milhões de superfaturamento e fraudes em licitações,7 milhões das malas encontradas no forro de uma casa,200 milhões de dívidas com a capital Manaus, devido ao seus “negócios” com desembargadores pela disputa do ICMS.
Só ai já se vão quase trezentos milhões de reais, é como se fosse dois anos de orçamento perdido,sem casas,sem pontes,sem geração de emprego e renda,sem dignidade e oportunidade para nossos jovens e crianças.vale lembrar que ainda não foram julgadas as contas de 2002 em diante,isto é só a ponta de um imenso iceberg,pois muita coisa ainda vem por ai.
Vai Adail, vai sem deixar saudade de sua mão pesada em quem pensa diferente de você, e de seu dedo podre, pois tudo que você administrou definhou. Um fim de mandato errado pra quem começou errado.Fica agora a expectativa e o julgamento da história, e que seu mau exemplo sirva de lição para as futuras gerações.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Novo Tempo
Simone
Composição: Ivan Lins / Vitor Martins
No novo tempoApesar dos castigos

Estamos crescidos
Estamos atentos
Estamos mais vivos
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
No novo tempo
Apesar dos perigos
Da força mais bruta
Da noite que assusta
Estamos na luta
Pra sobreviver
Pra sobreviver
Pra sobreviver
Pra que nossa esperança
Seja mais que vingança
Seja sempre um caminho
Que se deixa de herança
No novo tempo
Apesar dos castigos
De toda fadiga
De toda injustiça
Estamos na briga
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
No novo tempo
Apesar dos perigos
De todos pecados
De todos enganos
Estamos marcados
Pra sobreviver
Pra sobreviver
Pra sobreviver
Pra que nossa esperança
Seja mais que vingança
Seja sempre um caminho
Que se deixa de herança
No novo tempo Apesar dos castigos
Estamos em cena
Estamos nas ruas
Quebrando as algemas
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
No novo tempo
Apesar dos perigos
A gente se encontra
Cantando na praça Fazendo pirraça
Pra sobreviver
Pra sobreviver
Pra sobreviver

No novo tempo.


No Novo Tempo.

Este é o título da musica de Ivan Lins,que de certa forma serve para traduzir um pouco da realidade vivida pelo povo de Coari.Saímos do processo político mais importante da história de nossa cidade,onde o atual grupo, que continua no poder,conseguiu,apesar dos inúmeros escândalos,um terceiro mandato.
Para boa parte daqueles que acreditaram que seria possível uma mudança, a derrota nas urnas soa como um grande trauma. A sociedade coariense, principalmente a zona urbana, viu esta possibilidade se esvair mediante a falta de informação, o medo, a coação, a miséria, o fanatismo religioso.
Coari pode servir como estudo de caso para diversas áreas do conhecimento, como a história, a sociologia e até a psicologia. Nossa cidade é o reflexo de uma realidade predominante em nosso país, onde inúmeros valores estão sendo esquecidos.
No entanto, é preciso ter esperança, este ano já está se despedindo, um novo tempo começa á ser escrito, e apesar de tudo, os erros do passado não podem ser esquecidos.A partir de hoje iremos iniciar uma longa jornada pelo cotidiano de nossa cidade,questionando,analisando,criticando,pensando,lutando.
Enfim,criando as possibilidades pra que nossos filhos possam ter uma outra realidade..um novo tempo...
Que nós possamos ter em nossas consciência o que a imagem de minha filha reflete;paz de criança dormindo.
Como diz a música acima:
Pra que nossa esperança
Seja mais que vingança
Seja sempre um caminho
Que se deixa de herança
No novo tempo
Apesar dos castigos
Estamos em cena
Estamos nas ruas
Quebrando as algemas
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
Pra nos socorrer
No novo tempo
a gente se encontra na praça fazendo pirraça.
sejam bem-vindos.
Prof.Eloym Assunção.